Um pouco da história da fotografia no Brasil

A história da fotografia no Brasil inicia-se em 1839, com a chegada do daguerreótipo ao Rio de Janeiro pelo francês Louis Compte. Entre 1840 e 1860, o recurso fotográfico difunde-se pelo país. Os nomes de Victor Frond (1821 – 1881), Marc Ferrez (1843 – 1923), Augusto Malta (1864 – 1957), Militão Augusto de Azevedo (1837 – 1905) e José Christiano Júnior (1835 – 1902) se destacam como pioneiros da fotografia entre os brasileiros.

Louis Compte

Primeira fotografia do Brasil por Louis Compte./Créditos: site Itaú Cultural

O valor expressivo e também documental das obras, dedicadas ao registro de aspectos variados da sociedade brasileira da época – por exemplo, os escravos de Christiano Júnior, ou a paisagem urbana captada por Militão no Álbum Comparativo da Cidade de São Paulo, 1862-1887, vêm atraindo a atenção de pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento.

Largo da Sé por Militão Augusto de Azevedo./Créditos: site Veja

Largo da Sé por Militão Augusto de Azevedo./Créditos: site Veja

A fotografia, como documento, opõe-se a idéia de fotografia como ramo das belas-artes, uma idéia já em discussão em fins do século XIX. As intervenções no registro fotográfico por meio de técnicas pictóricas foram amplamente realizadas numa tentativa de adaptar o meio às concepções clássicas de arte, no que ficou conhecido como fotopictorialismo. Na década de 40, houve um momento de virada no que diz respeito à construção de uma estética moderna na fotografia brasileira.

Trata-se de pensar novas formas de aproximação entre fotografia e artes, longe da trilha aberta pelo pictorialismo. Em São Paulo, no interior do Foto Cine Club Bandeirantes, observa-se a experimentação de uma nova linguagem fotográfica, em trabalhos como os de Thomaz Farkas (1924) e Geraldo de Barros (1923 – 1998). Os trabalhos de Farkas, desse período, permitem flagrar a preocupação com pesquisas formais, exploração de planos e texturas, além da escolha de ângulos inusitados, como em Escada ao Sol (1946). Geraldo de Barros, por sua vez, notabiliza-se pelas cenas montadas, pelos recortes e desenhos que realiza sobre os negativos. Afinado com o movimento concreto dos anos 1950 e com o Grupo Ruptura, inaugura uma vertente abstrata na fotografia brasileira, como indica sua mostra Fotoformas, no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Masp, em 1950. As sugestões de seu trabalho serão retomadas por novas gerações de fotógrafos no interior da chamada Escola Paulista de fotografia, como nos trabalhos de Anna Mariani (1935) e João Bizarro Nave Filho. O que não quer dizer que o filão figurativo tenha sido abandonado, como atestam as produções de Claudio Puggliese e Eduardo Ayrosa. No Rio de Janeiro, o nome de José Oiticica Filho (1906 – 1964) aparece como outra alternativa à característica documental do meio. O Túnel (1951) representa um exemplo das montagens e da valorização do trabalho em laboratório que tanto atraíram o fotógrafo.

Fotografia do álbum “Escada ao Sol”, por Thomaz Farkas./Créditos: site Veja

Fotografia do álbum “Escada ao Sol”, por Thomaz Farkas./Créditos: site Veja

Fotografia da exposição Fotoformas, de Geraldo de Barros./Créditos: site Veja

Fotografia da exposição Fotoformas, de Geraldo de Barros./Créditos: site Veja

Ainda nas décadas de 40 e 50, observa-se a aproximação da fotografia com as artes plásticas, sob a égide do concretismo e do neoconcretismo. Nota-se a franca expansão do fotojornalismo no país, nas revistas O Cruzeiro e Manchete. Jean Manzon (1915 – 1990), José Medeiros (1921 – 1990), Luís C. Barreto, Flávio Damm (1928) e outros, fizeram da fotografia elemento ativo da reportagem. Além dos profissionais contratados, os órgãos de imprensa se valiam de colaboradores, como Pierre Verger (1902 – 1996) e Marcel Gautherot (1910 – 1996), assíduos em suas páginas. Quanto aos jornais, o Última Hora parece ter sido o primeiro a dar destaque à fotografia, recrutando profissionais como Orlando Brito (1950), Walter Firmo (1937) e Pedro Martinelli (1950).

O fotojornalismo de Jean Manzon./Créditos: site Itaú Cultural

O fotojornalismo de Jean Manzon./Créditos: site Itaú Cultural

Os anos 1950 marcam ainda o anúncio de um mercado editorial ligado à fotografia, seguido pela criação de revistas especializadas entre as mais importantes estão a Iris, fundada em 1947, e a Novidades Fotoptica, depois Fotoptica, criada em 1973 por Thomas Farkas. Ao lado da expansão de um mercado para o profissional da fotografia, nos anos 1950 e 1960, observa-se a entrada cada vez mais evidente dos trabalhos fotográficos nos museus e galerias de arte.

Revista Fotóptica, de Thomaz Farkas./Créditos: site Estado de São Paulo

Revista Fotóptica, de Thomaz Farkas./Créditos: site Estado de São Paulo

As décadas de 1960 e 1970, por sua vez, conhecem uma produção crescente que continua a oscilar entre trabalhos de cunho mais documental e outros de caráter experimental. A trilha etnográfica acentuada por Gautherot, Verger e H. Shultz é seguida por Maureen Bisilliat (1931) e Claudia Andujar (1931), em 1960 e 1970, e posteriormente por Milton Guran (1948), Marcos Santilli (1951), Rosa Gauditano (1955). O nome de Sebastião Salgado (1944) deve ser acrescentado à lista. Repórter fotográfico desde a década de 1970, Salgado realiza ensaios temáticos dedicados às questões sociais e políticas candentes, como os da década de 1990: Trabalhadores, Serra Pelada, Terra e Êxodos. A realidade social, as cenas urbanas e os pobres conhecem novo tratamento nos trabalhos de Miguel Rio Branco (1946), desde os anos 1980, quando fotografa o cotidiano de Salvador. A explosão de cores, a granulação da imagem e os ângulos inéditos recolocam o problema da relação entre a fotografia e a pintura.

Sebastião Salgado com a foto “Trabalhadores”./Créditos: site Estado de São Paulo

Sebastião Salgado com a foto “Trabalhadores”./Créditos: site Estado de São Paulo

As contribuições recentes de Rochelle Costi (1961), Vik Muniz (1961), Arthur Omar (1948), Rosângela Rennó (1962) e Cassio Vasconcellos (1965) e muitos outros apontam para as possibilidades abertas no campo das experimentações fotográficas.

Afeganistão, 2002. Foto de Arthur Omar./Créditos: site Veja

Afeganistão, 2002. Foto de Arthur Omar./Créditos: site Veja

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